As vendas de casas em Portugal recuaram 6,4% no segundo trimestre de 2026, enquanto os preços aumentaram 16,5% face ao mesmo período do ano anterior. Para quem vai vender ou comprar, estes dois números precisam de ser lidos em conjunto.
Há menos casas a mudar de mãos, mas os valores continuam a subir. Os dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística a 22 de setembro mostram uma desaceleração do mercado, sem uma descida generalizada dos preços.
Entre abril e junho, foram transacionadas 40.142 habitações. Foi o terceiro trimestre consecutivo com menos vendas do que no período homólogo. A valorização também perdeu velocidade: o crescimento anual dos preços passou de 17,8% no primeiro trimestre para 16,5% no segundo.
Face aos primeiros três meses do ano, os preços ainda aumentaram 3,6%. Desacelerar significa, neste caso, subir menos depressa.
Lisboa também perde ritmo
A leitura territorial acrescenta uma diferença importante: o abrandamento não tem a mesma intensidade em todo o país.
Segundo os dados da Confidencial Imobiliário divulgados pela ASMIP, em 210 dos 278 concelhos de Portugal Continental o crescimento homólogo dos preços no segundo trimestre foi inferior ao observado no final de 2025. Em Lisboa, essa taxa passou de 18,2% para 11,1%.
Estes indicadores têm uma metodologia própria e devem ser lidos separadamente dos dados do INE. Ajudam, contudo, a perceber por que motivo uma tendência nacional não basta para avaliar uma casa concreta.
Para quem vende, o preço exige uma leitura próxima
Uma subida nacional de 16,5% não significa que todos os imóveis tenham valorizado nessa proporção, nem que essa percentagem possa ser acrescentada a uma avaliação anterior.
O posicionamento de uma casa começa na comparação com imóveis semelhantes e nos valores efetivamente transacionados na zona. A oferta concorrente também conta, assim como o estado de conservação, a qualidade da construção, a exposição solar, o piso ou a existência de elevador, estacionamento e espaço exterior.
Depois de o imóvel entrar no mercado, essa análise continua. As visitas estão a acontecer? Que objeções se repetem? Há propostas? Em que condições?
A resposta à comercialização merece tanta atenção como o preço definido no início. Uma visita isolada diz pouco; um padrão consistente de comentários e propostas já permite tomar decisões mais fundamentadas.
Para quem compra, menos vendas não garantem descontos
A redução das transações pode levar a uma expectativa de maior margem negocial. Essa margem, porém, depende do imóvel, do preço pedido, das circunstâncias do vendedor e da concorrência entre compradores.
Antes de apresentar uma proposta, importa comparar alternativas reais e, sempre que possível, transações recentes de imóveis semelhantes. Uma casa que exige obras deve ser analisada pelo investimento total necessário, incluindo os custos da aquisição.
O financiamento também deve acompanhar a decisão. Uma simulação feita no início da procura pode já não refletir as condições disponíveis quando surge a casa certa.
A nossa leitura é que este contexto exige propostas bem fundamentadas e um orçamento atualizado. A manchete nacional ajuda a compreender o momento; a análise do imóvel permite decidir.
O que estes números ainda não dizem
Os dados agora divulgados descrevem as transações realizadas entre abril e junho. São uma referência importante, mas não mostram, por si só, como está a responder hoje a procura numa determinada rua ou num segmento de preço.
Também não permitem concluir que a redução das vendas irá necessariamente provocar uma queda dos preços nos próximos meses.
Para quem está a ponderar vender ou comprar, o passo útil é aproximar a análise da realidade da decisão: a zona, o prédio, a casa, as alternativas e o orçamento disponível.
Está a ponderar vender ou mudar de casa? A equipa Valle Real Estate Group pode ajudá-lo a interpretar o mercado na zona onde pretende vender ou viver.
Fale connoscoFontes: INE, Índice de Preços da Habitação — 2.º trimestre de 2026, divulgado a 22 de setembro de 2026; ASMIP, “Preços das casas abrandam em três quartos dos concelhos de Portugal”, publicada a 24 de setembro de 2026, com base nos indicadores da Confidencial Imobiliário.




